-Escalas-
Se pedirmos a praticamente qualquer pessoa para repetir a escala musical, as chances são de que 11 em cada 10 indivíduos dirá: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó (ou C, D, E, F, G, A, B, C). Esta noção, embora possa ser útil para se iniciar um processo de aprendizagem de teoria musical é, ao mesmo tempo, uma crença da qual devemos nos afastar com a máxima urgência. Existem, na verdade, inúmeras escalas musicais, das quais pelo menos dois tipos básicos devem ser familiares àqueles que pretendem fazer alguma coisa "decente" com uma guitarra (ou viola).
Não pretendemos, nem vamos, esgotar aqui o assunto de escalas musicais, uma vez que o número de escalas possíveis de serem construídas no braço do instrumento é praticamente ilimitado, vamos apenas, como já mencionado, abordar os dois grandes tipos de escalas, a partir das quais na verdade se derivam todas as demais.
Podemos, em principio, dizer que as escalas podem ser maiores ou menores. A escala acima mencionada é a de Dó Maior (ou simplesmente de C). Note que a mesma não apresenta qualquer nota "sustenida" (#) ou "bemolizada" (b) e, por isto, é considerada uma escala sem acidentes.
Em qualquer escala pode-se sempre identificar as notas por uma sequência numerada (ou graus), normalmente em algarismos romanos, como abaixo discriminado para a escala de C:
I II III IV V VI VII VIII
C D E F G A B C
Assim, a primeira nota (ou grau) da escala de C é o próprio C, a segunda é D, a terceira é E, e assim sucessivamente até a oitava que, obviamente, é novamente o próprio C. A nota correspondente ao I grau é também denominada de tónica (a que dá o tom, é claro). Observe o intervalo (ou distância) que separa cada uma destas notas. Da primeira (I), que é C, para a segunda (II), que é D, este intervalo é de 1 tom. Da segunda (II) para a terceira (III) que é E, esta distancia é também de 1 tom. Lembre-se que 1 tom equivale a 2 trastes no braço da guitarra. Nesta escala a distancia só não é de 1 tom da III para a IV nota (de E para F), bem como da VII para a VIII nota (de B para C), nas quais esta distancia é de 1/2 tom ou, 1 traste no braço da guitarra.
Em resumo as notas na escala de dó maior (C), e os intervalos que as separam, são as seguintes:
C tom D tom E semitom F tom G tom A tom B semitom C.
Neste momento o mais importante nisto tudo não são as notas desta escala de dó maior, que muito provavelmente você já conhece há bastante tempo, mas sim os intervalos que as separam. Porquê? Muito simples: as distâncias que separam as notas nas escalas maiores são sempre as mesmas. Com esta informação você deve então estar apto a construir qualquer escala maior. Como veremos mais adiante, o conhecimento de escalas é fundamental para o processo de solo e improvisação, isto para não falar na formação de acordes.
Pode-se, então, generalizar que a sequência de notas numa escala maior, qualquer que seja ela, é sempre a seguinte:
I tom II tom III semitom IV tom V tom VI tom VII semitom VIII
Para chegarmos às escalas menores é inicialmente importante mencionar que estas são sempre derivadas do VI grau de uma escala maior. Como o VI grau da escala de C é A, então a escala de Am (lá menor) é a seguinte:
I II III IV V VI VII VIII
A B C D E F G A
Existem várias coisas importantes a se observar nestas duas escalas (C e Am). Calma, tudo isto tem uma grande aplicação prática, sim. Mas, vamos primeiro passar pelos aspectos teóricos (pelo menos 2 deles). Observe primeiro que a escala de Am é também uma escala sem acidentes, ou seja, sem sustenidos ou bemóis. Ela é na verdade uma sequência da escala de C, ou seja:
(--Escala de Am--)
C D E F G A B C D E F G A
(--Escala de C--)
Por isto a escala de Am é considerada a relativa de C. Isto, do ponto de vista prático, significa que improvisações e solos podem ser feitos indiscriminadamente em qualquer uma das 2 escalas. Ou seja, se se estiver a tocar uma música em C, pode-se improvisar em qualquer uma das duas escalas, ou seja, na de C ou na de Am sem qualquer problema (é provável que não saia nada muito agradavel ao ouvido, pelo menos no princípio, mas não custa nada tentar).
Outra coisa importante é observar a distância que separa cada uma das notas na escala de Am. Note que a sequência não é a mesma das escalas maiores. Os graus separam-se da seguinte forma:
I tom II semitom III tom IV tom V semitom VI tom VII tom VIII
O importante aqui é também que esta sequência é a mesma em todas as escalas menores. Não podemos, entretanto, deixar de mencionar que esta escala que chamada de menor é, na verdade, a escala menor natural. Existem outros tipos de escalas menores mas, isto é uma história um pouco mais longa que futuramente iremos abordar.
Para que você se torne capaz de, sozinho, construir todas as escalas maiores e menores basta apenas mais uma informação, qual seja, a de que a forma mais adequada (e também fácil) de construir novas escalas maiores é a partir do V grau da escala maior anterior. Ou seja, partindo da escala C e, considerando que o V grau desta escala é G, a próxima escala maior deve ser a de G (sol maior). Isto tem um motivo que se tornará óbvio um pouco mais tarde. A escala de G poderia então ter a seguinte configuração:
G A B C D E F G
Os intervalos que separam as notas nas escalas maiores são: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Agora olhe a escala acima. A distância que separa o I (G) do II grau (A) é de 1 tom; aqui tudo certo. A que separa o II grau (A) do III (B) é também 1 tom, logo não há problema. Também não há problema na separação entre o III (B) e o IV grau (C), que é de meio-tom, do IV (C) para o V (D), que é de 1 tom, ou do V (D) para o VI (E), que também é de 1 tom. Porém, pela sequência de distâncias das escalas maiores o VI grau deveria separar-se do VII por 1 tom e o VII do VIII por 1/2 tom. Observe que na escala acima esta distancia é de 1/2 tom do V para o VI (de E para F) e de 1 tom do VI para o VII grau (de F para G).
Se a sequência de intervalos é a mesmo em todas as escalas maiores então, é preciso fazer com que as distancias da escala de G, acima apresentada, sigam esta sequência. Experimente aumentar o VI grau em 1/2 tom, ou seja, transformar o F em F# (fá em fá sustenido). A escala então ficaria assim:
I II III IV V VI VII VIII
G A B C D E F# G
Observe que, agora sim, os intervalos mantêm-se constantes e iguais aos estabelecidos para a escala de C. Em consequência disto surge porém 1 acidente na escala, que é um F#.
E a relativa menor da escala de G então, qual seria? Isso mesmo, constrói-se a partir do VI grau. A escala menor relativa de G é, portanto, a de Em (mi menor), que tem a seguinte forma:
I II III IV V VI VII VIII
E F# G A B C D E
Colocando as duas lado a lado teremos:
(--Escala de Em--)
G A B C D E F# G A B C D E
(---Escala de G---)
Da mesma forma que para a escala de C e a sua relativa menor (Am), solos e improvisações podem ser feitos indiscriminadamente nas escalas de G ou Em, estando a melodia em qualquer um destes 2 tons.
E a próxima seria a de D, que é o V grau da escala maior anterior, ou seja, o V grau da escala de G. Observe que para manter a sequência de intervalos das escalas maiores (tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom) é preciso incluir mais 1 acidente na escala de D (agora são portanto 2 acidentes), que é a seguinte:
I II III IV V VI VII VIII
D E F# G A B C# D
A relativa menor da escala de D, construída a partir do VI grau, é portanto Bm (si menor) que, também tem os mesmos 2 acidentes e mantém as distancias características das escalas menores separando cada nota. Ela tem, portanto, a seguinte forma :
I II III IV V VI VII VIII
B C# D E F# G A B
Provavelmente a escala mais usada na Improvisação é a Escala Pentatónica.
A Escala Pentatónica consiste em apenas 5 tons e divide-se em maior e menor.
Uma Escala Pentatónica menor:
Padrão 1:
(O "x" indica a nota-tónica)
|--(x)--|------|-------|--( )--|------|------|
|--( )--|------|-------|--( )--|------|------|
|--( )--|------|--( )--|-------|------|------|
|--( )--|------|--(x)--|-------|------|------|
|--( )--|------|--( )--|-------|------|------|
|--(x)--|------|-------|--( )--|------|------|
V. (Traste)
Padrão 2:
(O "x" indica a nota-tónica)
|-------|--( )--|-------|--( )---|------|------|
|-------|--( )--|-------|--(x)---|------|------|
|--( )--|-------|--( )--|--------|------|------|
|--(x)--|-------|-------|--( )---|------|------|
|--( )--|-------|-------|--( )---|------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )---|------|------|
VII. (Traste)
Padrão 3:
(O "x" indica a nota-tónica)
|-------|--( )--|-------|--( )--|-------|------|
|-------|--(x)--|-------|-------|--( )--|------|
|--( )--|-------|-------|--( )--|-------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )--|-------|------|
|-------|--( )--|-------|--(x)--|-------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )--|-------|------|
IX. (Traste)
Padrão 4:
(O "x" indica a nota-tónica)
|--( )--|-------|-------|--( )--|------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )--|------|------|
|--( )--|-------|--(x)--|-------|------|------|
|--( )--|-------|--( )--|-------|------|------|
|--(x)--|-------|-------|--( )--|------|------|
|--( )--|-------|-------|--( )--|------|------|
XII. (Traste)
Padrão 5:
(O "x" indica a nota-tónica)
|-------|--( )--|-------|--(x)---|------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )---|------|------|
|--(x)--|-------|-------|--( )---|------|------|
|--( )--|-------|-------|--( )---|------|------|
|-------|--( )--|-------|--( )---|------|------|
|-------|--( )--|-------|--(x)---|------|------|
XIV. (Traste)
Como dito anteriormente, cada escala menor tem a sua correspondente escala maior.
Neste caso (A menor) é a mesma q C Maior Pentatónica.